Se eu tivesse um blogue daria conta de que, afinal, não sou só eu que sente determinadas coisas de maneira diferente do que parece ser a maioria das pessoas. Pelos vistos não estou só.
As palavras que se seguem não são minhas, mas foram-me, concerteza, roubadas do pensamento, pois não há uma única que eu consiga repudiar.
Se eu tivesse um blog provavelmente discorreria sobre o quanto poderia cobrar em direitos de autor pelo que acabo de transcrever, ou simplesmente carpiria por não ter proferido ou redigido as mesmas. Como não tenho, fico-me apenas pela possibilidade de partilhar o escrito de Mestre Criswell publicado na edição de Fevereiro da Première portuguesa:
"03 de Janeiro - Sábado
Em Filadélfia, no dia de Natal, James Joseph Cialella, incomodado com o barulho que uma família estava a fazer durante a projeccção de O Estranho Caso de Benjamin Button, começou por mandá-la calar. (...) Finalmente, levantou-se do seu lugar e quando o pai de família fez o mesmo, deu-lhe um tiro no braço. Depois, ao mesmo tempo que os outros espectadores fugiam da sala, regressou ao seu lugar para assistir ao resto do filme. Agora, parece que se livrou da acusação de tentativa de homicídio, mas terá de responder por agressão agravada e posse ilegal de arma. Ao ler esta notícia, pensei em todas as vezes que presenciei pessoas a comentar os filmes em voz alta, a atender telemóveis ou a mandar mensagens. E no desespero que algumas vezes senti. Sim, isto é um triste exemplo da violência na cultura armada dos Estados Unidos. Mas, por um momento, senti mais pena do agressor do que da sua vítima."
